O clima político no Maranhão ganhou novos contornos nesta terça-feira (26), após o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão emitir uma nota pública de repúdio contra declarações do pré-candidato a deputado federal Peron Figueiredo (Novo). A manifestação foi lida pela presidente da Corte, a desembargadora Francisca Galiza, durante a abertura da sessão de julgamentos, marcando uma reação institucional dura diante das falas divulgadas nas redes sociais.

O episódio teve origem após o empresário, conhecido no setor de água mineral no estado, publicar um vídeo criticando magistrados eleitorais ao comentar questionamentos envolvendo um sorteio de iPhone promovido nas redes sociais. Durante a gravação, Peron fez acusações generalizadas contra integrantes da Justiça Eleitoral, utilizando palavras consideradas ofensivas e colocando em dúvida a integridade de juízes ligados ao TRE e ao TSE.

Na nota, o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão afirmou que as declarações ultrapassam os limites constitucionais da liberdade de expressão e representam um “grave ataque à honra e à dignidade” dos magistrados. A Corte destacou ainda que críticas às instituições são legítimas dentro do ambiente democrático, mas não podem ocorrer sem respaldo factual ou por meio de acusações genéricas que atinjam a credibilidade do Poder Judiciário.

A repercussão do caso também mobilizou a Associação dos Magistrados do Maranhão, que já havia divulgado nota semelhante nos últimos dias. A entidade ressaltou que acusações sem provas podem resultar em responsabilizações nas esferas cível e criminal, reforçando a necessidade de responsabilidade no discurso público, especialmente em um período pré-eleitoral que tende a elevar o tom das disputas políticas.

Em meio ao crescimento das redes sociais como palco central da política moderna, o episódio reacende um debate delicado sobre os limites entre opinião, crítica institucional e ataques pessoais. Em um cenário cada vez mais polarizado, o Maranhão acompanha mais um capítulo em que a tensão entre política e Justiça ganha espaço no centro das atenções.